22 mai 2013

CAPITALISMO SUPERIOR

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Uma mudança de cultura em escala mundial inaugura uma nova era econômica e pede novas práticas de gestão e ambientes de trabalho.
 

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“O capitalismo como o conhecíamos acabou em 15 de setembro de 2008.” Esta frase está em The Road From Ruin, livro de Matthew Bishop, editor de negócios da revista britânica The Economist nos Estados Unidos. “O que não sabemos ainda é o que vai substituí-lo e se essa nova versão será melhor que a anterior. As escolhas que fizermos agora nos colocarão na rota da prosperidade renovada ou da estagnação e mesmo da depressão”, adverte Bishop.

A crise financeira que se recusa a acabar é uma oportunidade para construir um capitalismo superior à versão falida em 2008 – embora pouco tenha sido feito para isso até o momento. Há um componente demográfico decisivo por trás do que parece ser um embrião de mudança cultural: o aumento da longevidade, e o consequente envelhecimento das populações.

Cem baby boomers chegam aos 60 anos a cada 13 minutos só nos Estados Unidos. “Quando a frente fria da demografia encontra a frente quente dos sonhos não realizados, o resultado é uma tempestade de propósito como o mundo nunca viu”, afirma Daniel Pink em seu livro, Drive.

Na outra ponta do espectro demográfico, a geração que está se tornando ativa hoje traz consigo questionamentos sobre o trabalho que devem deixar os pais boquiabertos. Ele é recompensador o bastante? Significativo o suficiente? Tão motivador quando eu gostaria?

Os adolescentes e jovens adultos americanos de hoje não parecem, por exemplo, tão interessados em comprar um carro nem em dirigir. Os jovens estão usando mais transporte público e solas de sapato. Há uma mudança cultural em curso.

Se estamos de acordo que o problema não é o capitalismo em si, mas os desvios de rota das últimas décadas, a questão é como reverter os excessos. Atenção: isto é problema nosso! O novo capitalismo terá como principais centros as economias emergentes. E a mesma expectativa existe em relação à transformação do modelo de gestão predominante.

Somos tidos como um dos países mais felizes do mundo. Passamos a ser notados por nossa capacidade de transformar o caos em bagunça organizada. Se é verdade que existe alguma coisa no Brasil que faz com que sejamos mais leves que outros povos, do ponto de vista comportamental, será possível criar práticas de gestão e ambientes de trabalho particulares, de modo a valorizar esse nosso traço cultural?

Se pudermos identificar e potencializar os traços “funcionais” da nossa cultura – ao mesmo tempo em que controlamos os nocivos –, teremos uma contribuição a dar para esta nova era econômica que parece estar se iniciando.

Alexandre Teixeira é jornalista de economia e negócios, autor do livro Felicidade S/A.

08 mai 2013

LEI DA TRANSPARÊNCIA FINANCEIRA

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A busca da transparência na divulgação de informações comerciais e financeiras está apenas começando no setor privado em todo o mundo.

 

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Em maio de 2012, entrou em vigor uma lei de suma importância, a Lei da Transparência. Agora, todo cidadão tem direito de acessar as contas de qualquer repartição federal, estadual ou municipal. É um grande avanço. Com toda a teatralidade da perseguição a atos de corrupção, o que funciona mesmo não é enfileirar anos de investigação, e sim simplesmente acender a luz. Ou seja, tornar os atos transparentes.

Saber o que acontece com o dinheiro público é um grande avanço, e os efeitos se farão sentir à medida que diversos atores sociais e a cidadania em geral se acostumem a utilizar o instrumento legal agora em suas mãos. Em termos de apresentação de dados, a mudança também é substantiva: o cidadão tinha certo controle sobre os resultados, podia ver com os seus olhos se as escolas foram construídas ou não, mas agora vai poder controlar os processos. Em termos de organização de indicadores e da informação econômica em geral, as pessoas estão começando a querer saber como os resultados são atingidos.

Não basta ter informações sobre o dinheiro público, é igualmente importante saber o que acontece com o dinheiro do público. Ou seja, além de saber que serviço nos presta uma empresa, precisamos também saber, cada vez mais, como e a que custo foi prestado, ou seja, conhecer o processo. A busca da transparência na divulgação de informações comerciais e financeiras está apenas começando no setor privado. E, tratando-se de dinheiro do público, nada melhor do que começar pelo setor de intermediação financeira.

Pouco percebidos pela população em geral, há avanços muito significativos, resultado indireto da crise. O descontrole das transações dos grandes bancos tornou-se evidente, propiciando a elaboração de estudos sobre as dinâmicas financeiras e iniciativas de saneamento. Inclusive porque o setor produtivo exige serviços muito mais eficientes.

O primeiro grande estudo que surge, o do Instituto Federal Suíço de Pesquisa Tecnológica (ETH, na sigla alemã), apresentou dados impressionantes: ao analisar o sistema de controle nas 43 mil maiores corporações do mundo, constatou que 737 grupos controlam 80% do universo corporativo e, destes, um núcleo particularmente fechado de 147 controla 40%. Três quartos dessas corporações são da área financeira. O estudo conclui que, com esse grau de concentração, falar em “mercado” no sentido de concorrência faz pouco sentido. Confirma o conceito de “clube dos ricos”. Não precisa inventar teorias conspirativas para entender que um grupo tão pequeno e com interesses convergentes “faz” o mercado e cria, pela força política que representa, as suas regras, entre as quais, evidentemente, a redução da transparência.

Um segundo estudo importante foi coordenado por James Henry, ex-economista-chefe da McKinsey, no quadro da Tax Justice Network. Cruzando dados de fluxos registrados ou parcialmente registrados nas diversas fontes, bancos centrais, bancos privados, administradores de grandes fortunas e outros, o estudo identificou as ordens de grandeza do dinheiro em paraísos fiscais, portanto fruto de evasão fiscal, de lavagem de dinheiro de drogas, venda ilegal de armas, corrupção e semelhantes. O resultado da pesquisa aponta para dinheiro ilegal acumulado entre US$ 21 trilhões e US$ 32 trilhões, ou seja, entre um quarto e um terço do PIB mundial. A participação brasileira é estimada em US$ 520 bilhões, cerca de um quarto do PIB do país. No seu número de 15 de fevereiro de 2013, a revista The Economist publica um dossiê sobre esses recursos, adotando a cifra de US$ 20 trilhões como estimativa mais provável. E expande a pesquisa de James Henry, apontando para os principais paraísos fiscais: não são as Ilhas Cayman e semelhantes, mas o Estado de Delaware e a praça de Miami, nos Estados Unidos, e a praça financeira de Londres. E a gestão está nas mãos dos grandes bancos internacionais, basicamente os mesmos analisados pelo estudo do Instituto Federal Suíço.

Juntam-se a isso, naturalmente, a manipulação do Libor e do Euribor pelos mesmos grupos financeiros, os processos contra o HSBC por lavagem de dinheiro de drogas, as pressões de vários governos no sentido de resgatar informações sobre o dinheiro ilegal, os processos movidos contra usuários do sistema de evasão, como Google, Facebook e Starbuck na Europa, e assim por diante.

Basicamente, e apesar da enorme resistência do grupo de 28 instituições financeiras que The Economist apresenta como sendo “sistemicamente relevantes”, estão sendo geradas obrigações de apresentação de contas (disclosure) e outras medidas por meio da proposta de lei Dodd-Frank, nos Estados Unidos, indo até o outro extremo de nacionalização dos bancos na Islândia, e medidas intermediárias, como no caso da Grã-Bretanha e da União Europeia. Chipre, cansado de ser um país pobre que abriga grandes fortunas, em particular da Rússia, criou uma taxa sobre depósitos, forma de atingir o dinheiro fugitivo.

No Brasil, constatamos as progressivas iniciativas por parte do governo, utilizando os bancos oficiais para forçar a redução de juros, e iniciativas interessantes como do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e do Instituto Akatu, este último publicando cartilhas que ensinam os usuários de bancos a se proteger, cartilhas elaboradas juntamente com as áreas de responsabilidade social dos próprios bancos. Mas temos um imenso caminho por trilhar. É difícil entender por que os americanos pagam 16% no cartão de crédito e os brasileiros 238%. Estamos dando os primeiros passos.

Outras práticas estão aparecendo no que Milton Santos chamava de “circuito inferior” da economia. Pequenas iniciativas que se multiplicam tornam-se significativas. A pesquisa de alternativas de intermediação financeira Banco Palmas 15 anos, por parte do Núcleo de Economia Solidária da Universidade de São Paulo (Nesol-USP),  mostra como o dinheiro pode ser administrado em função das necessidades dos próprios poupadores. No Brasil, já são 103 bancos comunitários, há Oscips de intermediação financeira, como em Criciúma (SC), Agências de Garantia de Crédito, como em Caxias do Sul (RS), e semelhantes. O dinheiro tem pezinhos ágeis e, ao surgirem alternativas, poderá migrar. É útil lembrar que a Alemanha resiste melhor à crise não só porque tem maior força industrial, mas porque os dois terços da totalidade das poupanças das famílias, o que é muito dinheiro, estão não em grandes bancos, mas nas tradicionais caixas de poupança locais, financiando os pequenos projetos e necessidades econômicas da própria localidade. Boa prática, na área da intermediação financeira, exige hoje a flexibilidade de se adaptar às necessidades reais dos clientes.

lounge-empreendedor-Ladislau-DowborLadislau Dowbor é economista e professor titular no Departamento de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Este texto faz parte de uma série de artigos de especialistas promovida pela área de Gestão Sustentável do Instituto Ethos, cujo objetivo é subsidiar e estimular as boas práticas de gestão.

04 mai 2013

A DEMOCRACIA E SEUS AVANÇOS PELO MUNDO

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Estudo da revista The Economist mostra que, em 2012, a democracia sentiu os efeitos da crise e não avançou no conjunto dos países.

 

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Por meio do seu braço de pesquisa, a Economist Intelligence Unit, a revista britânica The Economist realizou o levantamento de 2012 sobre o estado da democracia no mundo. Esse estudo vem sendo realizado desde 2007 e, desde então, aponta o avanço das liberdades civis e das eleições livres, entre outros critérios, em mais de 100 países de todos os continentes.

A conclusão geral: em 2012, a democracia não avançou nem regrediu. De um lado, as enormes manifestações sociais nos países árabes, que trouxeram esperança de avanço, parecem paradas no meio do caminho, tornando incerta a democratização naquele pedaço do planeta. De outro lado, a Europa, cortada por uma profunda crise financeira, tem a credibilidade de suas instituições posta em dúvida pelos cidadãos dos diversos países afetados, cada um à sua maneira, pelos programas de ajuste impostos pelos governos.

A revista destaca, no entanto, que tem havido avanços desde que o estudo começou a ser feito. Hoje, metade da população mundial vive em países que adotam regimes democráticos em alguma medida, de acordo com a pesquisa.

Alguns dados de 2012

O estudo faz uma radiografia das condições de democracia existentes em 165 países independentes e dois territórios. Para avaliar o regime democrático em cada país, foram considerados cinco critérios:

  1. Processo eleitoral e pluralismo;
  2. Liberdades civis;
  3. Funcionamento do governo;
  4. Participação política; e
  5. Cultura política, entendida como o conjunto de crenças e atitudes de uma sociedade em relação às instituições.

As notas para cada critério variavam de 0 a 10. De acordo com a média obtida, cada país foi classificado em uma destas quatro categorias de democracia:

  • Democracia plena – notas entre 8 e 10;
  • Democracia incompleta – entre 6 e 7,9;
  • Regime híbrido – de 4 a 5,9; e
  • Regime autoritário – de 0 a 3,9.

No geral, pelas notas distribuídas aos países, temos o seguinte quadro: 25 países, representando 11,7% da população mundial, possuem uma democracia plena; 54 países, que reúnem 37,2% da população, estão na faixa da democracia incompleta; 37 países, com 14,4% da população, têm regimes híbridos; e 51 países, com 37,1% da população do planeta, adotam regimes autoritários.

América Latina e Brasil

Os cinco países com médias mais altas – e, portanto, avaliados como “democracia plena” – foram, pela ordem: Noruega (9,93); Suécia (9,73); Islândia (9,65); Dinamarca (9,52); e Nova Zelândia (9,26).

Com exceção de Uruguai (com média 8,17) e Costa Rica (8,10), os países da América Latina classificaram-se entre as “democracias incompletas”. O Brasil teve média 7,12 e ficou no 44º lugar, empatado com a Polônia.

Uma análise das notas obtidas pelo país pode dar dicas importantes sobre nosso desempenho nesse aspecto e o que fazer para melhorar.

O país foi muito bem nos critérios “processo eleitoral”, com 9,58, e em “liberdades civis”, com 9,12. São notas que o colocam no mesmo patamar dos países considerados “democracias completas”. Não foi tão bem no critério “funcionamento de governo”, obtendo 7,5, por conta da ainda pouca transparência nas contas e orçamentos públicos, em que pese o avanço conseguido desde a aprovação da Lei de Acesso à Informação. Mas, como a vigência dessa lei é recente, seus efeitos serão mais bem observados nos próximos anos.

Onde fomos mal?

Em dois critérios que dizem respeito à mobilização da sociedade civil: “participação política”, em que obtivemos nota 5, e em “cultura política”, com 4,38.

Se apenas esses dois critérios fossem avaliados, o Brasil estaria entre aqueles países considerados “híbridos”, com pouca liberdade. Isso significa que, em certo sentido, as instituições andaram mais rápido do que a mobilização da sociedade. Não há barreiras jurídicas que impeçam a organização da sociedade civil. Falta, justamente, a sociedade civil se organizar e participar mais, algo que só depende dos próprios cidadãos e cidadãs.

The Economist compartilha essa visão, pois avalia o continente como aquele que mais avançou no processo de eleições livres nas últimas duas décadas, mas ainda apresenta uma grande concentração de poder e de renda. Para a publicação, se esses fatores não forem enfrentados, tanto as eleições quanto as liberdades civis podem sofrer sérios revezes.

Em vez de ameaçador, prefiro encarar esse cenário como cheio de oportunidades, principalmente para as empresas comprometidas com a gestão sustentável. Como uma das forças mais organizadas da sociedade, as empresas podem fazer avançar a participação da sociedade na política e, mais do que isso, contribuir para consolidar valores e atitudes que formem uma cultura política baseada na justiça social.

Como?

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Bem, contribuindo para a ampliação do controle social sobre a coisa pública, como fazem as empresas que se comprometeram com a transparência nas relações com a administração pública, via Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção; promovendo a diversidade em seu quadro de funcionários, objetivo daquelas companhias que integram o Grupo de Trabalho pelos Direitos Humanos nas Empresas; ou ajudando o poder público com soluções para os problemas das cidades, por meio do Fórum Empresarial de Apoio ao Município.

Essas são iniciativas em andamento. Entretanto, muitas outras podem surgir, pois o caminho da participação tem começo, mas não tem fim.

 

* Jorge Abrahão é presidente do Instituto Ethos.

01 mai 2013

DIA DO TRABALHO

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Dia do Trabalho começa com muita energia para muitos empreendedores

 

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Quando acordei nesta manhã, pensei qual seria a melhor forma para comemorarmos o feriado do trabalho aqui no Lounge Empreendedor. A inspiração logo chegou através da foto de dois amigos no Instagram.

lounge-empreendedor-dia-do-trabalho-kadufilmsKadu Potinatti começou (re)lembrando que a missão empreendedora vem acompanhada de muito suor e que o sonho de um mundo de "independência total", normalmente demanda uma alta carga de trabalho. "Que feriado que nada! O glamour empreendedor passou longe daqui… Dia 1 de maio, dia de muito trabalho!!!"  A questão é que, quando se empreende, há uma grande satisfação em cuidar de algo próprio e essa dedicação ao negócio é mais recompensadora que qualquer quantia de dinheiro ou que o descanso deste feriado.

lounge-empreendedor-dia-do-trabalho-mackeenzy"Trabalhar num feriado compensa quando você sabe que não precisa ver o Cristo para saber que ele está ali", é isso aí Edson Mackeenzy… Você fechou com chave de ouro o pensamento empreendedor que eu desejava recuperar neste Dia do Trabalho.

Empreender dá trabalho, sim! Não é porque você decidiu ter um negócio próprio onde "nunca mais terá um chefe" que seus prazos serão definidos apenas por você mesmo. Se você tem investidores, deve saber que todos os comandos estratégicos  da sua empresa têm base no controle do investimento, ou seja, você precisa ser responsável por aqueles que investiram no seu negócio. E, ainda que esteja "livre" de qualquer capital de risco, há outra pessoa que certamente vai estar sob o controle da sua agenda de trabalho: o cliente. A demanda de seus clientes com seus prazos, a necessidade de manter sua empresa no eixo, suas contas a pagar e a responsabilidade com seus funcionários fará com que você tenha dias como os do Kadu e do Mackeenzy com muita frequência. Há mais responsabilidades na vida empreendedora do que em um emprego comum.

Por isso, nesse Dia do Trabalho quero deixar a minha homenagem a todos os empreendedores que decidem seguir esse caminho sabendo que ele pode ser árduo e cheio de obstáculos. O segredo para superá-los estará na motivação que levou você a se tornar empreendedor. Empreender é um sonho e não uma ferramenta para alcançar outro sonho, como o de se livrar do chefe.

Um pouco sobre a história deste dia  

O Dia do Trabalhador ou Dia do Trabalho é celebrado anualmente em 1º de maio em diversos lugares do mundo. Na maioria dos países, a data é considerada um feriado nacional. 

Tudo começou em 1886, quando trabalhadores de Chicago, nos Estados Unidos, fizeram uma manifestação nas ruas da cidade querendo reivindicar a redução da carga horária de trabalho, de 13h para 8h diárias. Neste mesmo dia, os trabalhadores americanos fizeram uma greve geral no país. Estes protestos ficaram conhecidos como a Revolta de Haymarket. Nos dias 3 e 4 de maio, manifestantes e policiais entraram em conflitos, o que resultou na morte de alguns envolvidos e em dezenas de pessoas feridas.

lounge-empreendedor-dia-do-trabalhoMais do que um motivo de descanso, a data merece nossa reflexão sobre os avanços e necessidades de mudanças que ainda precisam ser implementadas para que tenhamos realmente uma política mais justa entre empregados e empregadores. Existem dois lados de uma mesma moeda cujo equilíbrio parece longe do ideal quando pensamos em direitos trabalhistas, na alta carga tributária ou nas condições precárias de trabalho que algumas pessoas ainda são submetidas. 

O supervisor de história da Editora Pearson, Márcio dos Anjos, explica que a data só se tornou feriado em 1919, na França. "Em vários 1º de maio do século 19 a polícia agiu reprimindo as manifestações operárias, o que reforçou a data como o dia de luta dos trabalhadores. No entanto, a data não figurava como feriado. Isso só aconteceu em 1919, na França, e em 1920, na Rússia".

1º de maio no Brasil

No Brasil, a data foi consolidada em 1925, após um decreto do então presidente Artur Bernardes. "A data era lembrada pelos anarcossindicalistas e, posteriormente, pelos comunistas, grupos que conduziram o movimento operário no país. Contudo, o poder público também se apropriou da data como forma de ganhar a simpatia dos trabalhadores", conta Márcio dos Anjos.

Além disso, a propaganda trabalhista do governo de Getúlio Vargas transformou o 1º de maio, que antes era visto como um dia para protestos e críticas às estruturas sócio-econômicas do País, e passou a ser comemorado com festas populares, desfiles e outras celebrações. As principais medidas de benefício ao trabalhador passaram a ser anunciadas nesta data, como o aumento anual do salário mínimo.

Outro pontoimportante atribuído ao Dia do Trabalho foi a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1º de maio de 1943, por Getúlio Vargas, sendo a principal referência para a nossa atual legislação Trabalhista, que fora incorporada à Constituição de 1988. 

Reparem que pela data (1943!!!), não há como negar que muita coisa precisa ser revista. 

O Dia do Trabalhador pelo mundo

O primeiro dia do mês de maio é considerado feriado em alguns dos países do mundo. Além do Brasil, Portugal, Rússia, Espanha, França, Japão e cerca de oitenta países consideram o Dia Internacional do Trabalho um dia de folga.

Na Austrália, o dia de celebração varia de acordo com a região. Já nos Estados Unidos e no Canadá, o Labour Day é comemorado na primeira segunda-feira de setembro. Após a Revolta de Haymarket, em 1887, o presidente americano Grover Cleveland tomou a decisão de transferir a data para setembro, quando foi organizada a primeira passeata em Nova York pelos "Cavaleiros do Trabalho", temendo que a comemoração no mês de maio lembraria os tumultos dos manifestantes de Chicago.

Em Portugal, o 1º de maio voltou a ser feriado depois da queda da ditadura portuguesa, tendo a União Geral dos Trabalhadores (UGT) o papel de articuladora das manifestações dos trabalhadores portugueses.

Segundo o professor Márcio dos Anjos, o personagem de relevância na história do Dia do Trabalhador são os trabalhadores que lutaram por melhores condições de trabalho e de vida. "Alguns anônimos foram mortos, mas o anonimato é representativo do caráter geral do movimento operário, de suas várias vertentes comunicantes e de uma simbologia apropriada pelo Estado, muito embora, na atualidade, as chamadas conquistas operárias sejam questionadas em nome da flexibilização das relações produtivas", afirma.

Ainda que muitos países mantenham a data como um espaço reservado às manifestações pela manutenção e ampliação das conquistas trabalhistas e plataformas sociais; há alguns anos aqui no Brasil, as centrais sindicais converteram o feriado em 'showmício' com o sorteio de bens de consumo ou até mesmo imóveis. Um jeito "fácil" para anestesiar o povo e fechar os olhos às reais necessidades do trabalho decente no país!

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26 abr 2013

DOAÇÕES E RESPONSABILIDADE SOCIAL

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Na gestão responsável, ações comunitárias ganham status de estratégia de negócio e são avaliadas pelos mesmos critérios com que se avalia o próprio negócio.

 

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José Mindlin e sua esposa, Guita, fizeram, ainda em vida, a doação para Universidade de São Paulo (USP) de um acervo importantíssimo sobre a história e a cultura brasileiras. E, em 23 de março último, foi inaugurada a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM), num prédio especialmente construído para receber os mais de 40 mil livros desse acervo que começou a ser constituído quando José Mindlin tinha 13 anos.

Nem dona Guita nem José viveram para ver realizado seu desejo de tornar público o acesso a tanto conhecimento. Mesmo assim, os herdeiros estão felizes e gostariam de ressaltar que doar não é uma questão de dinheiro, mas de espírito público. Qualquer pessoa pode fazer doações – de dinheiro, de livros, de tempo para trabalhos voluntários e contribuir para uma sociedade melhor.

Mas as empresas têm um papel ainda mais relevante a cumprir, porque podem mais. O fenômeno a que estamos assistindo é que elas começaram a se preocupar em beneficiar as comunidades em que estão inseridas, por meio do chamado investimento social privado, mas com caráter filantrópico e, em geral, dissociado do negócio.

O conceito de investimento social privado (ISP) apresenta diferentes interpretações, mas se caracteriza, basicamente, pela transferência voluntária de recursos de empresas privadas para projetos sociais, ambientais e culturais de interesse público.

Hoje, as empresas estão aproximando os ISP do próprio negócio. Além disso, a empresa não precisa estabelecer parceria ou aliança com organizações do terceiro setor, mas deve comprometer-se a monitorar e avaliar os projetos que desenvolve, para diferenciá-los de meras práticas assistencialistas.

Uma pesquisa realizada pelo professor Marco Antônio Milani Filho, da Universidade Mackenzie, constatou que 88% das empresas listadas no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da BM&F Bovespa, evidenciam investimentos em ações sociais voltadas para a comunidade. O que mostra que as companhias com gestão sustentável avançada consideram o investimento social privado uma parte importante dessa gestão.

Isto quer dizer que tais ações fazem parte de uma estratégia de negócio, dependem de um processo decisório corporativo para obter recursos, e não da decisão individual de um benemérito. Como se trata de uma ação inserida num processo corporativo de decisão, espera-se que o investidor social se envolva com os resultados proporcionados à comunidade.

Esse novo impulso de participação, vamos chamar assim, tem crescido no Brasil à medida que os valores e critérios da responsabilidade social empresarial vão sendo internalizados na governança.

lounge-empreendedor-doações-e-responsabilidade-social-foco-planejamento-resultadoAs empresas, sendo corresponsáveis pelo desenvolvimento das comunidades em que estão inseridas, precisam não apenas contribuir para a solução dos problemas existentes como não causar mais problemas (“externalidades”). Por isso, as ações comunitárias, na visão da gestão responsável, ganham status de estratégia de negócio e são avaliadas de acordo com critérios também utilizados para avaliar o próprio negócio. Foco, planejamento e resultado valem para a ação social que, de toda forma, precisa contribuir para reforçar os valores da empresa e o compromisso dela com o desenvolvimento sustentável.

Michael Porter, o guru do valor compartilhado, afirma que o investimento social privado feito por empresa socialmente responsável pode ser estratégico se a empresa de fato se envolver na ação, procurando minimizar danos causados por suas atividades e da cadeia de valor, e se, além disso, fizer investimento em causas mais genéricas, de claro interesse social, causas que não interfiram diretamente nas suas operações nem influenciem sua competitividade no curto prazo, mas mudem um cenário e “criem valor” para ser compartilhado por toda a sociedade. Ao longo do tempo, essa mudança vai beneficiar o próprio negócio.

Para Porter, quanto maior a relação de uma temática social com o negócio da corporação, maiores serão sempre as oportunidades de uma empresa gerar recursos em benefício da sociedade.

Um claro exemplo disso pode ser o investimento feito pelas empresas que contribuíram para que o edifício da Biblioteca Mindlin saísse do papel: a Petrobras, a CBMM, a CSN, a Suzano Papel e Celulose, a Votorantim, o Grupo Santander e o BNDES (também houve apoio da Fundação Telefônica, da Fundação Lampadia e do Ministério da Cultura).

Voluntariado e ética

Outro tipo de doação importante é a do nosso próprio tempo para a realização de trabalhos voluntários, que têm crescido bastante no Brasil. Desde 2001, definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional do Voluntariado, percebe-se uma disposição muito maior das pessoas para isso.

É interessante observar que o voluntariado proporciona um ganho para a sociedade no que se refere à ética. À medida que as pessoas começam a fazer trabalhos voluntários em regiões mais pobres, com maiores carências do que nas áreas em que elas vivem e, portanto, com realidades diferentes da sua, elas passam a perceber que existem valores muito positivos naquelas comunidades e que elas também têm de praticar valores muito positivos para que a sociedade se desenvolva.

lounge-empreendedor-doações-e-responsabilidade-socialO mesmo vale para as empresas. Uma companhia que faz investimento social na comunidade, por exemplo, mas, no seu negócio, não trata condignamente seus funcionários, seus fornecedores ou seus clientes, essa dissonância vai tornar-se evidente e a sociedade passará a cobrar a coerência que falta.

 

Sérgio Mindlin é presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos.

 

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