22 mar 2014

FAZER O BEM E OLHAR A QUEM!

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Repensar o modelo de financiamento de novas empresas e seu papel social é sempre um desafio delicioso. Topam vir comigo? 

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Depois de uma manhã de pura inspiração no 8º Congresso GIFE – Por um investimento social transformador a convite da Sam Shiraishi, aceitei o convite à reflexão e trouxe algumas delas para o nosso papo por aqui. Seriam as empresas mocinhas ou bandidas no processo de criação de uma nova sociedade? Quais as características de empresas numa sociedade sustentável? Como o investimento social pode apoiar o desenvolvimento de empresas com novos valores? De que forma os negócios de impacto se relacionam e complementam as ações de investimento social? 

Uau… Quantas perguntas… Quanta reflexão!

A amplitude do atual contexto econômico e político, a organização da sociedade civil e a capacidade da geração de valor pelas empresas trazem para as perspectivas de responsabilidade social empresarial e de investimento social privado o desafio de romper com o isolamento e pensar em novas estratégias que fortaleçam a competitividade empresarial, a atuação social, e por que não, a contribuição às políticas públicas.

Se antes entendia-se que com o pagamento de impostos, salários de funcionários em dia e campanhas de doações uma vez ao ano a empresa cumpria seu papel social, atualmente esperamos que uma boa gestão contemple a análise dos impactos de suas atividades e a forma pró-ativa de suas ações na reversão e na prevenção desses impactos. Quando uma empresa produz bens e serviços de forma socialmente responsável, diz-se que ela possui mecanismos de gestão de responsabilidade social empresarial. Já quando decide investir em ações sociais de outras empresas, ou em organizações não governamentais, seus esforços são focalizados por meio de investimento social privado. Melhor? Pior? Filantropia?

A filantropia empresarial é uma atividade pontual que não visa a sustentabilidade dos negócios. Ela normalmente está ligada ao desejo do empreendedor em atuar sobre alguma “mazela social”, sendo que a responsabilidade da empresa se encerra no ato de doar e não há grande preocupação sobre os impactos e a aplicação de seus recursos privados para ações de interesse público.

“O investimento social não deve ser compreendido como um campo isolado, como um setor fechado em si mesmo, mas como um conjunto diverso de estratégias que estão ligadas a outros setores e organizações, público e privados. Nesse contexto, ganham relevância e sentido as conexões em rede, capazes de potencializar, qualificar e avaliar o próprio investimento social” (Beatriz Gerdau, Presidente do Conselho GIFE).

Por isso, costumo dizer que é o jeito que as empresa tem de fazer o bem, mas de olhar muito bem a quem. Com a intenção de afirmar sua singularidade e se dissociar de práticas exclusivamente assistencialistas, o investimento social deve acontecer de forma planejada, monitorada e sistemática, com a promessa de gerar impactos efetivos e de longo prazo na sociedade.

E IMPACTO talvez seja a nova palavra de ordem no universo empreendedor! Desde que as startups tomaram conta de parte do cenário de abertura de novos negócios, negócios de impacto têm sido financiados por fundos de investimento, que criaram uma nova lógica de retorno financeiro: retornos não tão pequeno e em prazo não tão longos quanto os dos negócios tradicionais. Será que esse mecanismo de investimento funcionaria também para investimentos em negócios sociais?

Empreendimentos que aportem ganhos sociais merecem o reconhecimento dos agentes financeiros. Princípios como inovação, novos modelos e soluções que beneficiem a população de baixa renda não podem caminhar sozinhos. Se o setor é novo, ele precisa ser estruturado sobre novos paradigmas.

Essa foi a discussão do painel “Quando negócios de impacto e o investimento social se complementam?” que contou com a mediação de Vivianne Naigeborin, assessora estratégica da Potencia Ventures e a participação de Anna Penido, diretora do Instituto Inspirare, Valdemar de Oliveira Neto, o Maneto da Fundação Avina, e Claudio Sassaki, empreendedor responsável pela startup Geekie.

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Se ainda não temos uma ampla regulação sobre os investimentos sociais ou sobre empresas filantrópicas – aquelas que abordam questões globais como pobreza ou fome como suas estratégias centrais – podemos lamentar ou aproveitar. Afinal, onde não há regras, não existem também limites e podemos, então, criar a nossa própria forma de estreitar os laços entre os negócios de alto impacto e o investimento social.

O empreendedor Claudio Sassaki que atuou por dez anos no mercado financeiro decidiu deixar o cargo de vice-presidente em um banco de investimento em 2011 para fundar a Geekie, uma startup que atua com tecnologia de ensino adaptativa e que recentemente foi adotada como plataforma oficial de apoio para estudantes que fazem ENEM. Ele escalou o negócio com recursos próprios e hoje, a Geekie recebe investimentos do Fundo Virtuose e da Fundação Lemann para que exercesse seu papel social: dar acesso gratuito e adequado ao perfil de cada tipo de aluno do ensino público. Seria sua startup uma empresa social? Não! Sassaki tem uma empresa privada de interesse social e é assim que a vida é! Híbrida. Complexa. Complementar.

Ao empreendedor, cabe o desafio de desenvolver o produto ou serviço, errar e corrigir antes que o dinheiro acabe! Em qualquer startup é assim!

Às empresas financiadoras, compete fazer boas escolhas que gerem impacto, escala e que possam, ao mesmo tempo, influenciar políticas públicas e incrementar mecanismos de mercado orquestrando um novo ecossistema de negócios onde será preciso saber se os recursos que estão sendo gastos trazem ou não um retorno efetivo para a sociedade.

20 mar 2014

PROGRAMA GRATUITO PARA MULHERES DE BAIXA RENDA

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Com objetivo de oferecer assessoria em empreendedorismo, projeto visa auxiliar mulheres que trabalham com serviços de lavanderia e alimentação. Conhece alguém?

 

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Se a sua resposta foi "SIM, EU CONHEÇO ALGUÉM", você tem até o dia 23 de abril para incentivá-la a entrar em contato com o Instituto Consulado da Mulher para conhecer o Prêmio Usinas do Trabalho que apóia mulheres de baixa renda em todo o Brasil. O projeto é uma ação social promovida pela Consul e tem como objetivo oferecer assessoria para os negócios de mulheres empreendedoras em posição de vulnerabilidade econômica que tenham assumido a posição de líderes frente ao seu próprio empreendimento. Para participar, lembre-se: as empresas devem prestar serviços de lavanderia e alimentação.

As interessadas em se inscrever deverão seguir alguns requisitos predeterminados pelo Consulado. Entre eles, oferecer um serviço de característica popular e coletiva; possuir lideranças femininas atuantes; 70% do grupo com renda familiar per capita igual ou inferior a um salário mínimo mensal; no mínimo seis meses de existência; e ainda infraestrutura mínima para a instalação de eletrodomésticos para produção. Será necessário apresentar também expectativa de crescimento e emancipação do empreendimento; e ser composto por, no mínimo, 70% de mulheres.

Ao todo serão selecionados 20 grupos de trabalho que receberão, além de assessoria do Consulado, doação de eletrodomésticos da Consul, e capacitação em gestão e economia solidária. Os 10 primeiros colocados ganharão 5 mil reais para investimento na infraestrutura do espaço de produção dos negócios. A inscrição deverá ser realizada pelos representantes legais do grupo ou, caso não seja constituído como pessoa jurídica, por uma entidade parceira no site abaixo:
www.consuladodamulher.org.br/usinas2014.

A ação social existe desde 2002 e é reconhecida como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Isso porque desenvolvem trabalhos que procuram identificar oportunidades de geração de trabalho e renda para mulheres com potencial empreendedor e dificuldade de acesso ao mercado de trabalho e à economia formal.

Entre as áreas de atuação do projeto estão ainda artesanato, costura, imagem pessoal, serviços de beleza e reciclagem. Mais de 32 mil pessoas em todo o país já foram beneficiados com o programa.

Não perde tempo! Passa a mão no telefone, liga para todas as suas amigas e compartilha essa notícia nas suas redes sociais! Afinal, quem não quer uma mãozinha para crescer?

06 dez 2013

REVELE A BELEZA

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Ação convidará público a iluminar o Cristo Redentor para celebrar de forma inédita o final do ano e ajudar famílias da Cidade de Deus

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Faça uma estrela brilhar. É com este conceito que a marca de limpadores Cif, da Unilever, lança hoje sua primeira campanha de Natal no Brasil, que pretende mobilizar os consumidores em torno da data.

Após limpar e iluminar o Cristo Redentor em julho, a marca agora quer a ajuda dos consumidores para revelar mais uma vez a beleza do monumento. A campanha que leva o nome de Revele a Beleza será 100% digital e os participantes poderão compartilhar a ação nas redes sociais.

Ao acessar o site  www.reveleabeleza.com.br, o público encontra uma imagem do Cristo Redentor virtual, coberto por pontos luminosos. Basta escolher um dos pontos e deixar uma frase de final de ano. Nos dias 23 e 24 de dezembro, cada mensagem se transformará em uma estrela que será projetada no monumento real do Cristo Redentor,com transmissão ao vivo pela internet.

Em paralelo, junto ao SESC, a marca transformará as mensagens postadas no hotsite em kits de produtos CIF, que serão doados para famílias que vivem em situação de vulnerabilidade na região da Cidade de Deus. A distribuição será realizada por meio do Mesa Brasil Sesc, programa que atua como uma ponte entre empresas parceiras, que doam seus excedentes de produção, e instituições assistenciais, que recebem os produtos. Ao todo, cerca de de mil famílias devem ser beneficiadas.

“A marca Cif está honrada em ter o Cristo Redentor mais uma vez como protagonista de uma campanha que valoriza a beleza de monumentos importantes ao redor do mundo. Esta é uma ação que já traz em seu conceito a disseminação do espírito de Natal, e poder iluminar o Cristo Redentor, como nunca feito antes, nesta data especial, é uma homenagem de final de ano não só para a cidade do Rio de Janeiro, mas para todos os brasileiros”,afirma Diego Colicchio, diretor de marketing de Home Care Brasil.

A ação faz parte da campanha global da marca, que tem como objetivo revelar a beleza dos monumentos mais importantes do mundo. Desde o início de 2013, Cif fechou uma parceria com a Arquidiocese do Rio de Janeiro e se tornou uma empresa mantenedora do Cristo Redentor e irá apoiar a manutenção do monumento e mostrar ao mundo o valor de manter as coisas mais importantes, como o principal ícone do Brasil, sempre bem cuidadas e bonitas.

Mesmo sem curtir a publicação de conteúdo promocional aqui no Lounge Empreendedor, achei a campanha tão legal que não resisti a compartilhá-la com vocês. (Aliás, minha estrelinha já está por lá!) Talvez nem todos possam "adotar" um monumento como o Cristo Redentor, mas que tal pensar na praça da sua cidade, numa creche em seu bairro, numa biblioteca municipal? A criatividade não tem limite para quem quer realmente fazer a diferença e revelar a beleza de sua própria vida!

21 set 2013

GERAÇÃO DE RENDA COM SABOR

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Gerar lucro para o negócio, transformação social e entregar para os consumidores um produto de alta qualidade. Quem não quer?

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Na última terça-feira, 17 de setembro, participei de um lançamento super especial da Coca-Cola Brasil. Mais do que um produto, me senti saboreando um conceito, um valor e um modelo de negócio comprometimento com o desenvolvimento sustentável do país.

Uma bebida com os benefícios nutricionais das superfrutas e, ao mesmo tempo, um projeto inovador para desenvolver a cadeia de valor do açaí produzido por comunidades extrativistas do Amazonas. O suco Del Valle Reserva Açaí+Banana é resultado de um ano e meio de projeto e de uma parceria com o governo do Estado do Amazonas que gerou, além de uma deliciosa combinação, a criação do “Coletivo Floresta”, programa de geração de renda e sustentabilidade com foco no bem-estar social e cultural da comunidade, e na conservação da biodiversidade da Floresta Amazônica.

O suco além de hidratar, tem a capacidade de trazer benefícios à saúde, pois oferece os benefícios nutricionais do açaí, fonte de zinco e magnésio, e a polpa da banana, que adoça naturalmente a bebida, reduzindo a adição de açúcar. São 92 calorias por 200 ml. (Amei!)

Isso marca a entrada da Coca-Cola no segmento de superfrutas – definidas pela alta concentração de nutrientes –, por meio do selo Reserva. E para quem visita o Lounge Empreendedor à procura de bons setores para investir: o mercado de néctares e refrescos é um dos que mais crescem na indústria de bebidas, segundo o vice-presidente de Novas Bebidas da Coca-Cola, Sandor Hagen. 

lounge-empreendedor-geração-de-renda-com-saborO néctar chegará ao mercado ainda no mês de setembro em belas embalagens Tetra Pak de 1 litro e de 250 ml. 

Coletivo Coca-Cola: Um novo jeito de pensar negócios

O “Coletivo” é um modelo de negócios que pressupõe a presença da Coca-Cola Brasil em comunidades de baixa renda para criação de valor mútuo através da cadeia de valor da empresa com foco na inclusão social e na capacidade de gerar a diferença na vida das pessoas. Seja no consumidor ou nas comunidades.

Ao abordar as questões da sustentabilidade, os projetos tem o cuidado com o bem estar pessoal, social e ambiental, através de eixos que se privilegiam:

  • o beneficio das bebidas
  • a vida saudável
  • o ambiente de trabalho
  • as comunidades
  • o empoderamento das mulheres 
  • a energia e o clima
  • o uso da água
  • embalagens sustentáveis; e
  • a agricultura sustentável. 

No “Coletivo Floresta”, as primeiras ações acontecerão nos municípios de Manacapuru e Carauari, onde se localizam agroindústrias credenciadas pela Coca-Cola Brasil. Uma equipe local irá auxiliar na articulação de parcerias, na assistência técnica e na integração da cadeia de valor. No primeiro ano, a expectativa é impactar diretamente 600 famílias extrativistas em Manacapuru (a 69 Km de Manaus) e Carauari (a 786 Km da capital) e, indiretamente, 1.200, em cerca de 50 comunidades.

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A ideia do projeto é viabilizar a entrega do açaí integrando o fornecimento com a capacitação de extratores, transportadores e processadores em uma cadeia com remuneração justa e maior organização do trabalho.

O Governo do Estado financiou a estrutura das agroindústrias que devem pasteurizar o açaí e garantiu a compra da produção das comunidades extrativistas, além de viabilizar a colheita, transporte e armazenagem do fruto.

Segundo Claudia Lorenzo, diretora de Negócios Sustentáveis, “Se o açaí não for industrializado 24 horas após a colheita ele perde valor nutricional e sabor. Então, precisamos ter um tratamento rápido nesses locais que vão produzir cerca de 300 toneladas até o fim do ano, oferecer às famílias melhores condições para desenvolver o extrativismo sustentável na região e formar uma cadeia de produção que assegure independência financeira.”

Marco Simões, vice-presidente da Coca Cola no Brasil, contou que o planejamento da companhia contempla a expansão de outras super frutas nativas da floresta, porém as mesmas ainda estão sendo avaliadas tecnicamente e comercialmente. Acredito que iremos ter em breve lançamentos similares a este, desde que possam ter a produção da matéria-prima extrativista em escala para ser industrializada. Fiquei imaginando o néctar com sabor de cupuaçu ou acerola… Hummm!!!!

O modelo da proposta envolve:

  1. co-criação: ninguém sabe tudo, certo? Assim, a equipe do Instituto Coca-Cola conduziu várias reuniões para ouvir a comunidade e "aprender a fazer sem saber fazer" respeitando a cultura e tradições locais. As reuniões foram fundamentais para decidir, também, o que não poderia ser endereçado pelas ações do Coletivo.  
  2. presença física: Filosoficamente isso tem a ver com a história do negocio Coca Cola. “Se estamos em 80% dos lares brasileiros e em mais países do que a ONU, por que não encarar a loucura de usar tudo isso para empoderar os povos da floresta?”, disse Claudia Lorenzo. A presença física é uma importante condição para estabelecer uma relação horizontal com a comunidade. O time local irá auxiliar na articulação de parcerias, na assistência técnica e na integração de toda cadeia, além de liderar e implementar treinamentos sobre cidadania e workshops nas comunidades. É fazer parte! 
  3. parceria – a comunidade precisa de muito mais coisas do que aquilo que a Coca Cola pode oferecer. Por isso, é importante trazer para dentro do jogo outros atores que entreguem as demandas que a comunidade precisa.  Afinal, nem mesmo uma gigante empresarial como a Coca-Cola pode, sozinha, fazer todas as transformações que uma comunidade necessita para seu desenvolvimento.

O Coletivo Floresta já agrega 16 instituições empresariais e não-governamentais, entre elas, a agência de implementação da cooperação alemã para o desenvolvimento, a Deutsche Gessellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ).

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“Nossa ideia é endereçar as demandas que levantamos junto à comunidade para parceiros que possam cuidar de questões que não estejam contempladas no escopo do nosso projeto”, explicou Claudia. “Os indicadores estão vinculados à geração de renda e autoestima. A vocação da Coca Cola não é fazer pequeno. Queremos associar nosso sucesso ao sucesso da comunidade.”

Por isso, enquanto acompanhávamos o lançamento em São Paulo, o presidente da Coca-Cola Brasil, Xiemar Zarazúa, e o governador Omar Aziz, assinaram um termo de cooperação na Amazônia contendo dez princípios para o relacionamento da empresa com as comunidades extratoras, incluindo preservação da cultura e do meio ambiente e contribuição ao desenvolvimento sustentável.

Como entusiasta do empreendedorismo e da sustentabilidade, me apaixonei literalmente pelo projeto. Espero que essa ação se multiplique e propicie a inclusão econômica de muitas mulheres e suas famílias.

Vale destacar que a expertise da plataforma Coletivo Coca-Cola já está presente em 150 comunidades em todo o Brasil impactando, desde 2009, mais de 50 mil pessoas através de seis diferentes segmentos (Logística e Produção, Empreendedorismo, Varejo, Excelência em Eventos, Reciclagem e Artes) além do Coletivo Floresta. Um lindo trabalho de tecnologia social provocando mudanças nos processos e pessoas! 

26 jul 2013

MUDANÇA NA CONSCIÊNCIA EMPRESARIAL LEVA TEMPO

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Em entrevista ao Valor Econômico, Jorge Abrahão, presidente do Instituto Ethos, fala sobre os 15 anos da instituição e seus atuais desafios.

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O cartão de visitas de Jorge Abrahão, diretor-presidente do Instituto Ethos, tem mais do que endereço e contatos. Traz, no verso, a missão da entidade que ele dirige: “Mobilizar, sensibilizar e ajudar empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade sustentável e justa”. A meta, ambiciosa, pauta o trabalho que o Ethos começou a desenvolver há 15 anos, quando arregimentava empresas em torno da responsabilidade social corporativa, uma espécie de precursora da atual gestão sustentável dos negócios. (Tenho o maior orgulho em ter no meu currículo uma passagem como gerente executiva da instituição!)

Engenheiro e empresário, Abrahão participa do trabalho do instituto desde o início, como conselheiro e fundador. Acredita que a consciência em relação ao impacto ambiental e social das empresas aumentou, mas “está muito aquém das necessidades”. Veja abaixo trechos da entrevista que ele concedeu sobre as perspectivas e projetos do Ethos que, aos 15 anos, entra em nova fase.

  • Valor: Em sua trajetória o Ethos mobilizou empresas em torno da responsabilidade social, apresentou e discutiu conceitos como sustentabilidade e trabalhou na disseminação deles. Qual será a direção agora, aos 15 anos?

lounge-empreendedor-mudança-na-consciencia-empresarial-leva-tempoJorge Abrahão: O Ethos trouxe um tema até então inovador, que não existia no Brasil. Quando traz o tema, ele sensibiliza, mobiliza, toca os corações de alguma maneira. Isso é uma parte da missão. Logo em seguida vem outra parte, contribuir com a gestão socialmente responsável das empresas, que também era uma novidade. Aí o Ethos criou os indicadores de responsabilidade social, que naquele momento eram também uma grande novidade, uma forma de concretizar o que era responsabilidade social empresarial. Estava mostrando os caminhos. E aí tinha uma terceira etapa, que era a mais difícil: tornar as empresas parceiras da construção de uma sociedade justa e sustentável. Nesse processo todo, nós não esgotamos nem a primeira, nem a segunda etapas, e estamos agora avançando nessa terceira.

  • Valor: O que torna essa etapa a mais difícil?

Abrahão: Se você decide na empresa avançar numa política de responsabilidade social, atuar em questões do impacto da empresa no ambiente, no cuidado na relação com a comunidade e com o público interno, é uma decisão em que você avança. Quando você quer ver como a empresa pode contribuir para que São Paulo ou o Brasil seja melhor… aí muda. Acho que é esse o diálogo, e nós temos que colocar essa corresponsabilidade nos processos. Os desafios são de tal magnitude – mudança climática, aquecimento global, biodiversidade, resíduos, temas ligados a essa área – e as empresas têm um baita de um impacto. Quando a gente pensa no desafio social, redução de pobreza, combate à desigualdade, e quando a gente pensa no desafio da integridade… isso é muito grande. Nós só podemos fazer isso dialogando com outros atores, não vai ser só o governo que vai resolver isso, não vão ser só as empresas e não vai ser só sociedade civil.

  • Valor: Como essa participação pode ser estimulada?

Abrahão: Um dos desafios é efetivamente mobilizar mais. Como? Respeitando as diferentes formas de engajamento que as empresas têm. Queremos integrar empresas que não entraram ainda no Ethos, expandir no sentido de que são empresas que preenchem indicadores, fazem relatórios. Queremos duplicar em cinco anos o número de empresas engajadas nesses diferentes processos.

  • Valor: No patamar avançado, das empresas que realmente se pautam pela sustentabilidade, já existe um grupo formado?

Abrahão: Não, nós queremos ter nele 30 empresas de dez diferentes setores, que possam demonstrar como estão considerando a sustentabilidade no planejamento de uma forma transversal.

  • Valor: Nos últimos anos outras entidades e associações que advogam a sustentabilidade ganharam força e adesão de empresas. Como vocês pensam na articulação com elas?

Abrahão: A gente percebe um valor enorme nas entidades, mas a agenda fica bastante ligada àquela questão do imediatismo mais vinculado à atuação dessas entidades. O valor do Ethos é que ele está no meio desse processo. Nós temos uma entidade que tem as empresas como sua base, mas que considera fortemente o interesse público em suas ações. Como é que a gente combina o interesse privado com o interesse público? É diferente do que caminhar numa defesa específica de um determinado setor. Quando a gente trabalha com resíduos a gente convida todas as entidades, vê qual é a agenda comum, chama os governos, aí o governo vem com outro olhar… O desafio é trabalhar com as empresas, mas não para as empresas.

  • Valor: Olhando para trás nesses 15 anos, o que avançou o que ficou para futuro?

Abrahão: Avançou uma grande consciência, eu acho que é esse é o primeiro ponto. Essa consciência gerou uma mudança de comportamento nas empresas que estão com visão de longo prazo, porque essa consciência aponta para o futuro, não para o que está acontecendo agora. Essa consciência mudou na dimensão e na proporção colocadas? Não, não mudou, está muito aquém das necessidades. A gente precisa ter consciência de que somente as ações individuais não vão fazer as transformações. A atuação da empresa individualmente é fundamental. Mas estar com outras empresas, articular com a sociedade civil, construir políticas públicas para universalizar processos é o que vai dar grande velocidade ao processo.

  • Valor: Houve um momento em que algumas grandes empresas queriam ter um papel estratégico em relação às mudanças climáticas, fazer o que os governos não estavam conseguindo. O que limita essas ações?

lounge-empreendedor-mudança-na-consciencia-empresarial-leva-tempoAbrahão: Acho que este é um processo. No fundo, a lógica do negócio não mudou. Essas questões de mudanças de práticas empresariais, construção de políticas públicas, contribuem muito no processo, são importantes, mas a gente tem uma mudança de valores, de cultura empresarial. Enquanto os líderes das empresas – e aí não é só culpa dos líderes, é o investidor, o acionista – cobrarem resultados de curto prazo, enquanto a lógica for essa, e os CEOs tentando malucamente responder a essas demandas, aí os critérios de tomada de decisão não vão estar considerando as questões-chave do desenvolvimento sustentável.

  • Valor: Essa questão do prazo de retorno de investimentos já é discutida há algum tempo e o mercado continua focado em rapidez. De que forma é possível introduzir uma mudança?

Abrahão: Acho que a gente tem que trabalhar os valores de uma maneira geral e isso é longo prazo. Como a gente forma as novas lideranças? Como a gente muda a visão dos acionistas? Como a gente muda a visão do consumidor? Outra questão central é a regulação, que pode contribuir muito. Agora, a regulação tem que ser construída conjuntamente. A impressão que se dá é que não aprendemos com a crise de 2008. Quando se olha para uma crise como a de 2008, qual é o aprendizado para que isso não se repita? Ali seguramente tinha alguma coisa ligada à regulação, é difícil pensar numa autorregulação do sistema. Essa regulação negociada é que eu acho que é chave. Como é que a gente dá velocidade? Nós não aprendemos com o passado? Nós não estamos conscientes do que está acontecendo? Estamos, só que a gente está com um dilema: está anunciando que vai acontecer alguma coisa daqui a 30 anos, daqui a 40 anos, daqui a 20 anos, e hoje a gente continua raciocinando com a ideia limitada do ganho possível. Acho que tem empresas que estão avançando nisso. Tem umas que estão com a visão dos 20 anos, 10 anos, e estão atuando, a grande maioria ainda não está e o nosso trabalho é através desses diferentes graus de questões, trabalhar internamente, trabalhar valores, a regulação, porque o último ponto lá da grande consciência é a catástrofe. Eu uma vez estava numa discussão com o Boff, sabe? E olhando para ele, aquela figura simpática que ele é, eu pensava assim: “de onde é que ele tira a força, vitalidade, para esse processo?”. Aí falava assim “olha tem duas maneiras, uma delas, que é provada, é a catástrofe, a catástrofe vai nos fazer ter uma consciência, porque não vai ter outra saída, a outra é nós continuarmos tentando avançar na radicalidade possível. O que eu acho que o Ethos tenta fazer é atuar na radicalidade possível.

  • Valor: O senhor acha que com o crescimento das mídias sociais a exposição de impactos causados por empresas ganhou uma condição que as pressiona a mudar? A vitrine ficou mais frágil?

Abrahão: Eu não tenho dúvida. Isso tem muito a ver com a consciência do intangível das empresas. A gente está falando de empresas que estão cada vez mais preocupadas com o intangível, com a imagem, com a reputação etc. Então eu acho que a mídia, esse espalhamento das informações, contribui muito para que as empresas de uma maneira geral percebam que elas têm que ter um comportamento, que elas têm que fazer o que elas estão falando, porque do contrário elas vão ser fortemente cobradas sobre isso. O Akatu soltou uma pesquisa recentemente que coloca que a credibilidade nas empresas vem caindo, sob o ponto de vista do “você acredita no que elas falam?” Ajuda muito essa coisa da informação, as empresas preocupadas com a sua reputação, com sua imagem e isso é mobilizador de transformações sim. E daí a gente verifica que cada vez menos as empresas têm chances de fingir que estão fazendo.

  • Valor: A prestação de contas à sociedade, a publicação de relatórios sociais, também parece estacionada, apesar de as empresas estarem hoje muito expostas…

Abrahão: A proporção do envolvimento das empresas ainda está aquém, pelo que temos visto, de uma demanda da sociedade, de uma maneira geral da agenda. Agora a proporção do envolvimento da sociedade, dos cidadãos, está muito aquém. Então a proporção da ação dos governos também está aquém, mas a mídia também está. É por isso que eu valorizo tanto o Ethos, essa questão do trabalho com esses atores com um todo, é esse movimento que vai fazer essa coisa avançar. Não vão ser só as empresas, elas têm um papel chave, mas se a gente conseguir combinar essas ações, acho que é a maior chance que a gente tem.

  • Valor: O que seria hoje na visão do Ethos uma empresa socialmente responsável ou orientada pela sustentabilidade?

Abrahão: Seria a empresa que quando vai discutir o seu planejamento, na verdade, coloca sustentabilidade no centro das suas decisões, que os investimentos que ela vá fazer, que os processos de inovação, que as tomadas de decisão, tenham a pergunta: qual vai ser o impacto disso nas questões sociais, ambientais, e os riscos de integridade de qualquer ação que eu vá tomar. É diferente de falar “eu vou ter um departamento de sustentabilidade, e ele vai dar conta das minhas questões”.

  • Valor: Nessa perspectiva, qual é a maior carência das empresas brasileiras em relação ao que seria idealmente uma empresa sustentável? O que mais faz falta?

Abrahão: Acho que a gente está no mesmo patamar das empresas que estão avançando fora do Brasil, não estamos devendo muito nesse sentido. O problema é o de sempre, as empresas estão pontualmente em uma determinada agenda, não existe uma integração com as demais agendas da sustentabilidade, isso não é tratado no “core” do negócio, é tratado dentro de uma agenda que muitas vezes é mais para superar um momento específico. Vamos olhar minimamente para frente. Nós temos oportunidades de negócio sendo construídas nessas áreas. A gente está tendo uma uniformidade de uma agenda global, clareza dos temas, muito ligados à produção e consumo, aos limites do planeta, pobreza e desigualdade. Daí vão sair os temas do desenvolvimento sustentável, vão ser dez grandes objetivos do desenvolvimento sustentável. Isso vai ser um norte para os governos, para as empresas, para a sociedade. Eu acho que o Brasil nesse sentido tem uma oportunidade super importante, porque pode ser uma das lideranças desse desenvolvimento sustentável, pelas características que tem, e podemos trabalhar a ideia de o produto brasileiro ser um produto sustentável. A gente constrói uma agenda para o Brasil.

Por Celia Rosemblum, para o Valor Econômico
Texto publicado originalmente na edição de 27/5/2013 do jornal Valor Econômico.

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