Archive for Democracia

19 abr 2016

NÃO SE DISCUTE

No Comments Cidadania, Comportamento, Democracia, Relacionamento Interpessoal, Relações Humanas, Sociedade e Política

Ensina a sabedoria popular que “política, futebol e religião não se discutem”. Você concorda?

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Sinceramente, considero o ditado de que "política, futebol e religião não se discutem" batido, surrado e mentiroso. Somos adultos, certo?!? Mais do que nunca, deveríamos nos unir para conversar sobre estas três dimensões que se tornaram o palco dos grandes problemas do mundo. Basta um pequeno olhar à nossa volta: impeachment, retorno da CPMF para cobrir gastos do governo, alta do dólar, transferências milionárias de jogadores entre times, presença do Papa em Cuba, guerras em nome da paz…

Claro, que no passado tal afirmação trazia consigo o medo de que a paixão – ou talvez o fanatismo – por time A ou B, religião C ou D, partido X ou Y, não nos permitisse o diálogo. Mas é preciso reinventar o dito com tolerância, abertura, aceitação ao outro e autoconhecimento.

Muitas pessoas se inflamam tanto ao defender suas ideias, colocam tanta paixão em seus discursos que há a impressão de que querem brigar. Alguns querem, de fato, convencer de que sua opinião é a mais acertada e deixam os ânimos se acirrar. Entrar em uma discussão com uma atitude mental de "eu ganho", "você perde", "eu tenho razão", "você está errado", "eu falo" e "você fica calado", claramente, não ajuda a desenvolver boas relações. Será que você quando se vê contrariado em seu ponto de vista, sente-se rejeitado e age dessa forma?

Devemos aprender a lidar com a diversidade, dispostos a recuar quando temos nossas convicções feridas e tentar olhar de outra perspectiva. No caso do futebol, parece ser mais fácil. Brinca-se muito, um desqualifica o time do outro para na semana seguinte ser a vez do colega cujo time ganhou a partida brincar com a ineficiência do time do amigo. Dificilmente, vemos um caso de amizade que se desfaz porque as pessoas torcem por times diferentes, embora ainda existam casos extremos em que torcidas matem umas às outras nos estádios.

Já sobre a política, estamos nos tornando um povo mais antenado e consciente, que vem adquirindo uma visão mais macro de mundo. Saímos do silêncio da ditadura, passamos por uma fase de transição e com o amadurecimento da democracia conquistamos um nível de politização importante que nos faz cidadãos mais atuantes e preocupados com os problemas do país. Mas, eis aí um perigo: se não avançarmos no entendimento sobre as questões que envolvem as políticas públicas, suas reformas e consequências, estaríamos mesmo discutindo ideias ou apenas pessoas? Reclamar de um congresso oportunista não altera nossa posição de responsáveis pelo o que elegemos.

Agora se futebol e política parecem complicados pra você, religião está numa categoria ainda mais delicada. O tabu é tamanho que a ausência de debate se observa numa espécie de proteção ao crente: questioná-lo corresponde a um gesto de ofensa. Pautada por questões não mensuráveis, a escolha da religião dá-se pela fé e por uma convicção que fala diretamente à alma e às crenças aprendidas e aceitas. Mas isso não a torna intocável, afinal não é preciso concordar com uma opinião diferente da sua nem é preciso abrir mão de suas convicções para conviver.

Por isso, acredito que chegou a hora de substituirmos o velho ditado pelas lições de economia e administração sobre Ponto de Equilíbrio e encontrarmos tais pontos comuns para o verdadeiro exercício de civilidade, generosidade e aceitação.

04 out 2014

O SILÊNCIO DOS BONS

No Comments Ações Sociais, Cidadania, Comportamento, Datas Especiais, Democracia, Economia, Escolhas, Mercado, Mudança, Protagonismo, Responsabilidade Pessoal, Sociedade e Política

Amanhã viveremos um dia importante para a democracia brasileira. Você já fez suas escolhas?

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Toda campanha eleitoral é a mesma coisa: políticos que a gente mal conhece aparecem prometendo mundos e fundos para abocanhar o voto da população. Dessa vez, quem está diferente é o eleitor, que chegou ao limite de sua paciência e não se empolga mais tão facilmente com as opções disponíveis.

Ouso dizer que “a ficha está caindo”, mas, infelizmente, isso ainda não produz uma mudança profunda no cenário que nos cerca. É comum ouvir muita gente reclamando dos políticos e da corrupção, mas quem os coloca lá?

Foi você, fui eu. Chega de tapar o sol com a peneira, chega de fugir do problema. Somos todos responsáveis pelos rumos da nação quando apertamos as teclas da urna eletrônica e confirmamos nossa escolha.

E amanhã, 5 de outubro, teremos a chance de fazer isso mais uma vez. Você está preparado? Pesquisou os candidatos que mais chamaram a sua atenção? Quem são eles, de onde são, qual o histórico político e pessoal, que bandeiras defendem?

Ou você é daqueles que, a caminho da zona eleitoral na qual vota, pega qualquer papelzinho no chão e crava o número na urna. E pensa orgulhoso: “Cumpri meu dever cívico”. Ledo engano, ser cidadão é mais do que simplesmente votar. É saber em quem se está votando e por qual motivo.

E tão nocivo quanto votar em qualquer um é não votar. Se eximir desta responsabilidade não vai tornar o País melhor, mas pode piorá-lo um pouquinho mais, por nossa negligência e comodidade é que a corrupção reina em todas as esferas e se enraíza sem cerimônia.

Você quer mais saúde, educação e segurança pública? Então chegou a hora de parar de reclamar e de fazer aquele discurso pronto e reagir. Esta é a poderosa hora de protestar, não sabotando o processo, votando em qualquer um, me branco ou nulo, mas votando com sabedoria, dando oportunidade a pessoas sérias, comprometidas e trabalhadoras.

Defendo o voto distrital, pois ele estimula a escolha de candidatos da nossa cidade e região que vivem e conhecem a nossa realidade: comendo nos mesmos restaurantes, frequentando o mesmo shopping, enfim, vivendo a nossa vida!

E mesmo sem o sistema estar legalmente em vigor, você já pode agir assim. Escolha representantes que sejam realmente seus representantes.

Saber escolher bem é necessário para que possamos resgatar o prestígio político de outrora, quando tínhamos cinco deputados. Hoje, nosso município tem um representante na Assembleia Legislativa e outro na Câmara Federal. É preciso dizer algo mais?

Amanhã, o poder estará em suas mãos, eleitor. Para alguns um transtorno para outros a oportunidade de intervir nos rumos da nação. Em qual grupo você está? Pense nisso! Já dizia Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas sim o silêncio dos bons”.

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12 jul 2014

MOSTRA TUA FORÇA, BRASIL

No Comments Administração e Gestão, Aprendizagem, Coaching, Confiança, Democracia, Empreendedorismo, Liderança, Mudança, Negócios, Resiliência, Sociedade e Política, Sonhos, Viva Positivamente

Saber celebrar (e aprender com) fracassos se tornou um dos pilares de sustentação dos melhores negócios. Que tal tentar agora?

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"O futebol não se traduz em termos técnicos e táticos, mas puramente emocionais". Dizem que Nelson Rodrigues é o autor desta frase e quem diria que tantos anos depois, nossa Seleção Canarinho comprovaria sua afirmação em plena Copa do Mundo em solo nacional.

Eu li muita coisa sobre nossa derrota para Alemanha. Desde as opiniões dos especialistas, dos que só torcem para quem ganha, dos políticos mascarados de torcedor, dos jornalistas de causa própria, dos que tiram proveito da situação negativa, dos defensores dos seus ganhos atuais e interesses pessoais, dos gaiatos sem propósito, dos revoltados, dos que se autointitularam humilhados, dos torcedores de futebol, enfim, e, claro, dos brasileiros apaixonados pelo Brasil.

Vocês dirão que somos pentacampeões – e somos, sempre liderados por grandes craques e jogadores excepcionais. Alguns dirão: futebol é individual, é plástico, é arte. Ok! Não quero retirar do torcedor essa relação platônica e irracional com o esporte. Mas para todos os demais é preciso entender além o jogo.

Um bom jogador precisa entender onde está, para onde pretende ir e o que fazer quando chegar lá. Não adianta apenas ter a bola nos pés. É preciso ocupar os espaços, reconhecer os melhores caminhos e valorizar seus talentos.

Não lhes parece que é exatamente isso o que a Alemanha fez conosco? Com a bola, o plano deles foi bem claro: ocupar espaços no campo ofensivo, oferecer passes certos, não apenas para fazer gols, como também para não sofrê-los, com inteligência de jogo e qualidade técnica.

Por isso, lhes digo: futebol é treino, é estudo, é repetição! É preparar a cabeça para cuidar dos pés. Será que o que aconteceu conosco foi uma sucessão de "jeitinhos brasileiros" que foram se acumulando e deixamos de lado treino, organização, consistência, trabalho em equipe e dedicação? Seríamos o reflexo do "exército de um homem só"?

A derrota avassaladora de 7 x 1 para a Alemanha foi sinal de desespero, destempero e puro desequilíbrio emocional. E claro, é um recado: no mundo moderno pouco vale o peso da camisa e a genialidade exclusiva.

Espero de coração que todo o nosso sofrimento do torcedor brasileiro sirva de lição para quem espera conquistar coisas sem esforço, estudo e objetividade, achando que o mundo lhes deve algo. O mundo não nos deve nada. Nós é que devemos mostrar a que viemos por meio de nossos feitos, e não apenas de nossos sonhos e aspirações. O mundo é maior que tudo isso.

Sonhar é apenas o primeiro passo! Se não encararmos a realidade, se não estudarmos muito, sem trabalhar incansavelmente, sem estratégia ou mesmo sem ser persistente, resiliente e cheio de disciplina, a vitória não chegará. Se você não transformar seus sonhos em metas, os sonhos não servirão para nada. É o seu preparo que lhe prepara para a vitória.

Por isso, não confunda ou leve para sua vida real, a imensa dor, a tristeza e frustração que a derrota da seleção para a Alemanha causou em todos os brasileiros. Aprenda com ela! Que essa "revolta" se transforme em vontade de colaborar para as mudanças que esse País precisa. A solução dos nossos problemas no Brasil começa pela nossa casa, pela educação que damos aos nossos filhos, por assimilar e aplicar as lições que a vida nos ensina e claro, pela forma de pensar o coletivo. "Mostra tua força Brasil" deve continuar, mas agora fora dos estádios.

Como disse Juliano Abe em seu texto no jornal Mogi News, bem ao lado do meu, "Se por um lado no País de chuteiras somos meros espectadores, por outro, na República Federativa do Brasil, temos não só o poder de escolher os integrantes que comandarão o País pelos próximos quatro anos por meio do voto, mas possuímos o direito de algo a mais; de pautar os trabalhos daqueles que escolhemos para integrar o time, que atrevo-me a chamar de Partido Brasileiro.

Temos, então, o direito de escolher, escalar, definir o padrão de jogo e mais ainda, nossa opinião não fica restrita à galera do amendoim, ela tem voz. Agora é a hora de mostrar como se monta um time para comandar o Brasil."

Eu vou junto com você, Brasil! 

16 nov 2013

PROCLAMAMOS O QUÊ?

No Comments Cidadania, Comportamento, Cotidiano, Datas Especiais, Democracia, Otimismo, Protagonismo, Sociedade e Política

Só mais um feriado? 15 de novembro é um dia para refletirmos sobre o que a República realmente significa ao Brasil

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Ontem foi o dia da Proclamação da República. A comemoração de um dia em que, em 1889, foi derrubada a Monarquia no Brasil e instaurada a República com o sonho da transformação de um poder absoluto para a liberdade, pelo menos como conceito.

Inspirados na Terceira República Francesa (1870/1940) e nas ideias positivistas, o período nasceu em meio a um caldeirão de debates e ideias sobre o que seria uma República para um país de dimenções continentais, com uma população missigenada, em sua maioria analfabetos, e numa sociedade com cultura escravocrata arraigada em suas engranhas.

Ainda na primeira República, dizem que arrependido, Alberto Sales (irmão do Presidente Campos Sales) declarou em 1901: “…este regime é corrupto e despota”. Alberto Torres, governador do Rio de Janeiro (1897/1900), desencantado com o novo regime disse: “Este Estado não é uma nacionalidade; este país não é uma sociedade; esta gente não é um povo. Nossos homens não são cidadãos”.

Sinceramente, mais de 100 anos depois, me pergunto o que mudou…

São tantos escândalos, tanta impunidade e tanta corrupção impregnados em nosso DNA republicano que o sonho da liberdade transmutou-se em um longo pesadelo. Para onde foram os defensores da participação do povo no governo, a soberania, a liberdade do homem, o direito de ir e vir? Liberdade, igualdade e fraternidade? Talvez apenas na França… 

O Brasil conta com 39 ministérios no Governo Dilma para quê? Acomodar interesses politicos? Empregar apadrinhados? Quem está pensando o Brasil do Futuro?

Precisamos construir um plano de nação! Aquele que a maioria dos países conseguiram quando adotaram o regime Republicano e a Democracia, mas que no caso do Brasil, nem 100 anos foram capazes de consolidar. Pois é… Não temos um plano de nação. Temos um plano do partido A, B ou D, que pensam sempre no curto prazo e nas próximas eleições. A estrutura da República deve ser melhorada para coibir e punir a corrupção. Mesmo com a indignação que nos assola desde 1901, a cada dia conhecemos um novo escândalo. Entra governo, sai governo e as questões continuam as mesmas. Na época do Jânio Quadros a palavra de ordem era varrer a corrupção (lembro que cheguei a ter uma vassourinha); no período Collor a caça aos marajas (fui às ruas com a cara pintada gritar pelo impeachment) e agora a prisão (ou não) dos mensaleiros anunciada em pleno 15 de novembro. Será que somos um povo corrupto por natureza? Quando teremos forças para colocar um ponto final em toda essa história?

Se sonhamos com o aumento da competitividade da nossa economia e com a melhoria da qualidade de vida do nosso povo, é chegada a hora da proclamação de um novo pacto social, onde tenha prioridade o indivíduo, a família e a comunidade. Que possamos viver a verdadeira República: politica, fiscal, administrativa e, principalmente, socialmente forte e democrática.

 

05 out 2013

CONSTITUIÇÃO CIDADÃ

No Comments Ambiente Legal, Cidadania, Democracia, Economia, Sociedade e Política

Mesmo para aqueles que não a conhecem a fundo, é hora de celebrar e defender sua real implementação. 

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“Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil”, disse há 25 anos o então presidente da Assembléia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, ao promulgar a nova Constituição Federal, em vigor até hoje. O Brasil rompia – de vez – com a Constituição de 1967, elaborada pelo regime militar que governou o país de 1964 até 1985.

Considerada uma das melhores constituições mundiais em termos de cidadania, a Carta Magna significou a conquista de vários direitos trabalhistas e sociais, reestruturou os Poderes da República e fortaleceu o Ministério Público, transformando-o em um órgão independente, autônomo e detentor da prerrogativa da ação civil pública – fato que recentemente dividiu o Congresso Federal frente à proposta da PEC 37.

Em seu 14º Artigo, o documento responde ao grito de “Diretas Já”, símbolo dos anos 80, estabelecendo que “a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos” sendo obrigatório para os maiores de 18 anos e facultativo para os analfabetos, os maiores de 70 anos e aqueles entre 16 e 18 anos.

A jornada de trabalho, que era de 48 horas semanais, foi reduzida para 44 horas e os trabalhadores conquistaram o direito à liberdade sindical, o abono de férias, o décimo terceiro salário para os aposentados, o seguro-desemprego, mulheres passaram a ter direito à licença-maternidade de 120 dias e os homens à licença-paternidade de cinco dias.

Os constituintes definiram racismo como crime inafiançável e imprescritível e a tortura como crime inafiançável e não anistiável. Também estabeleceram a proteção ao consumidor, que três anos depois culminou na criação do Código de Defesa do Consumidor, atualmente em vigor.

Por ser uma Constituição analítica e abrangente, ela cuida de tributos, previdência, saúde, educação… Em 25 anos, acabou por sofrer mais de 80 modificações por meio da aprovação e promulgação de 74 propostas de emenda pela Câmara e pelo Senado. Elas acrescentaram, retiraram ou alteraram dispositivos do texto aprovado pelos constituintes em 1988.

Embora muitos questionem tais emendas, elas podem ser apenas um reflexo de uma sociedade que muda, evolui e que necessita de novos parâmetros reguladores para continuar a se desenvolver. Ouso dizer que, talvez, o principal problema na comemoração de seu aniversário seja os mais de 100 dispositivos escritos, mas não regulamentados até hoje. Alguns sequer foram objetos de proposições parlamentares mesmo estando na “ordem do dia nacional” como o piso salarial nacional para professores e agentes de saúde da rede pública, o estatuto e o Plano Nacional da Juventude, e alguns pontos da PEC das Domésticas, aprovada este ano.

lounge-empreendedor-constituição-cidadãParece que, assim como em épocas de “Diretas Já”, caberá ao povo voltar às ruas não apenas para comemorar o aniversário, mas para pedir o cumprimento da Carta em sua integralidade. Afinal, como disse o deputado Ulysses Guimarães, no discurso de promulgação do texto original: É caminhando que se abrem os caminhos”. 

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