Archive for Plano de Negócios

13 jun 2017

OS MITOS DO CANVAS

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Não há um único jeito de se construir negócios e o canvas não fará milagre, mas ele pode ser um excelente ponto de partida entre outras ferramentas e metodologias que possam se somar.

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Poucos temas têm sido comentados de forma tão ampla e abrangente no meio empreendedor quanto o Business Model Canvas, popularizado por Alex Osterwalder em seu livro Business Model Generation. Não é para menos, pois é uma primeira referência básica e bastante simples do mundo dos negócios para quem vai empreender e não tem formação em administração.

Para quem está se familiarizando com este conceito pela primeira vez, o Canvas é a apropriação de um termo em inglês usado por artistas plásticos para designar as telas usadas para pintar. Em negócios, tomou a forma de um modelo visual através do qual o empreendedor apresenta os principais elementos do seu negócio, apresentado a seguir:

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O modelo demonstra qual é produto que a empresa venderá para qual tipo de cliente. Quais são as matérias primas necessárias para fabricar este produto. Neste ciclo, demonstra-se também quais são as atividades e recursos necessários na fabricação e como levar a proposta de valor do produto para o mercado e atrair a atenção do cliente. Complementando o modelo, a parte financeira indica as fontes de receita do negócio e os respectivos custos e despesas.

Desta forma, o modelo apresenta o conceito do negócio em apenas uma folha. As relações entre as partes do modelo é que caracterizam a lógica do negócio e justificam seu funcionamento. Embora não seja ainda um estudo de viabilidade da ideia, o Canvas serve como um primeiro rascunho de como o negócio irá funcionar. Muitos dizem que é um preâmbulo do futuro plano de negócio e alguns ainda afirmam que o Canvas chega a substituir o plano.

O Canvas não pode substituir o plano de negócio. O plano de negócio ainda é uma ferramenta imprescindível para a formação do conceito do negócio. Não se pode montar um negócio baseado apenas no seu rascunho, sobretudo se o investimento for alto e, proporcionalmente, o risco também. Em meu último livro 'Plano de Negócio em 40 Lições', falo mais a respeito da importância do plano de negócio para o empreendedor iniciante, mas vamos aos pontos principais de cuidado com relação ao Canvas:

  1. Se você tem MBA ou formação em Administração ou Negócios, o Canvas é insuficiente, não traz os elementos mais importantes para se analisar o negócio com profundidade, apenas serve para mostrar a lógica do negócio.
  2. O Canvas não é uma ferramenta de inovação, é apenas uma forma mais simplificada de olhar um negócio. Qualquer tipo de negócio pode ser mapeado no Canvas, de uma padaria a um aeroporto, de uma montadora de automóveis a uma escola de equitação. Seja um produto ou negócio inovador ou não, o Canvas mostra os componentes deste negócio.
  3. O Canvas deve ser usado como um rascunho. O que for escrito nele pode e deve ser mudado na medida em que a ideia do negócio vai se desenvolvendo e evoluindo, por isso, é recomendável imprimir uma versão grande do modelo e pregá-lo na parede, preenchendo os campos com folhas de post-its que podem ser retirados e mudados de forma livre.
  4. Embora muitos digam que o Canvas se começa pelo segmento de clientes, isso não é obrigatório. Se você tem um produto e vai levá-lo para o cliente, comece pelo mais fácil e o que você já tem na mão, ou seja, recursos-chave, parceiros e atividades. Se você já conhece o mercado e vai desenvolver o produto para ele, faça o contrário, comece pelo segmento de cliente, a proposta de valor e os canais de comunicação e distribuição.
  5. Preencher o Canvas é fácil, o difícil é enxergar um modelo de negócio viável nas relações entre os campos. A lógica do modelo de negócio é mais importante do que seus componentes em si. É preciso ver se as partes do negócio se interconectam de forma a fazerem sentido e isso o Canvas, sem uma boa interpretação, não mostra sozinho. Veja em meu outro artigo aqui no Santander Empreendedor o conceito de modelo de negócio.
  6. Um bom Canvas é construído de forma cooperativa, trazendo pessoas que conhecem o setor e o ramo e que possam trazer críticas construtivas ao modelo que está sendo gerado. Um provável cliente, um provável fornecedor e um parceiro estratégico podem complementar o time de desenho do negócio.
  7. Por fim, o Canvas não traz o conceito de estratégia, que é fundamental para qualquer negócio. A visão superficial do modelo apresenta sua estrutura e não os caminhos para a sua implantação. A lógica do negócio pode fazer todo o sentido do mundo, mas se ele não for implantado da forma correta, pode se tornar um grande fracasso.

Se você estiver com tempo, além do texto do Marcos Hashimoto que compartilhamos acima, assiste esse vídeo… Vai ajudar muito no entedimento sobre o Canvas e sobre toda a estrutura necessária para saber como funciona essa técnica de modelagem de negócios.

Marcos Hashimoto é Coordenador e Professor do Centro de Criatividade e Empreendedorismo da FAAP, Consultor e Palestrante, doutor em Administração de Empresas pela EAESP/FGV (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas), autor do livro Lições de Empreendedorismo e do software SP Plan de planos de negócios. Seu site pessoal é www.marcoshashimoto.com.

 

12 ago 2015

10 ERROS COMUNS DO PLANO DE NEGÓCIOS

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Conheça e evite os principais erros cometidos na hora de criar o documento que vai guiar o rumo da sua empresa

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Antes de iniciar qualquer tipo de empresa, é fundamental que o empreendedor elabore o seu plano de negócios, um documento que descreve quais são os objetivos e as etapas a serem cumpridas para alcançá-los, sendo útil também para diminuir os riscos que envolvem a atitude de empreender.

Ultimamente, tem muita gente envolvida com o empreendedorismo apregoando o fim do plano de negócios e assumindo a modelagem de negócios no estilo Canvas ou Lean startup como o novo padrão para o empreendedor analisar ideias e colocá-las em prática.

A verdade é que tudo se completa quando o assunto é planejamento e se você decidir aplicar o Canvas e, em seguida, complementar a análise com a parte financeira e mercadológica, bem como a análise de competidores do plano de negócios, poderá ter algo prático que talvez seja um meio termo entre um conceito que precisa de mais informação para ficar completo e um plano de negócios denso e detalhado.

Montar um plano de negócios não é uma tarefa fácil. O alto grau de ansiedade para abrir o primeiro negócio contribui para que o empresário acabe cometendo alguns erros, por isso, o Sebrae-SP elaborou uma lista com os principais erros cometidos pelos empreendedores iniciantes na hora de criar o plano de negócios da empresa e eu decidi compartilhá-lo com você aqui no Lounge. Vamos lá?

  1. Desconhecer o ramo de atuação – É preciso conhecer os detalhes do segmento em que pretende atuar para, assim, encontrar as oportunidades nele. 
  2. Não pesquisar o mercado consumidor – Consiste em não ter as informações sobre os prováveis compradores: o que produzir, de que forma vender, qual é o local adequado para a venda, e qual é a demanda potencial para o produto.
  3. Desconhecer o mercado fornecedor – Esse conhecimento vai se refletir nos resultados pretendidos pelo empresário. Mercado fornecedor é aquele que fornece à empresa os equipamentos, as máquinas, a matéria-prima, as mercadorias e os demais materiais necessários ao seu funcionamento.
  4. Desconhecer o mercado concorrente – Este mercado deve ser analisado criteriosamente, de maneira que sejam identificados os concorrentes, as mercadorias ou serviços que oferecem, as vendas efetuadas pelo concorrente, os pontos fortes e fracos da concorrência e se os clientes deles são fieis.  
  5. Indefinição de produtos e serviços – É preciso conhecer detalhes do seu produto ou serviço e fazer com que eles atendam às necessidades do mercado. Defina qual a utilização do seu produto ou serviço, a embalagem a ser usada, os tamanhos oferecidos, as cores, os sabores, entre outros.
  6. Não analisar a localização da empresa – Um bom ponto comercial é aquele que gera resultados e um volume razoável de vendas. A definição do local está diretamente relacionada com o ramo de atividade em que a empresa atua.
  7. Desconhecer o processo operacional – Devem ser abordadas questões como que trabalho será feito; quais são as fases de fabricação, venda e prestação de serviços; quem fará; com que material; com que equipamento e quando fará. É preciso verificar quem tem conhecimento e experiência no ramo: você? um futuro sócio? ou um profissional contratado?
  8. Desconhecer o volume de produção, de vendas ou de serviços – É prudente que o empreendedor ou empresário considere a necessidade e a procura do mercado consumidor; os tipos de mercadorias ou serviços a serem colocados no mercado; a disponibilidade de pessoal; a capacidade dos recursos materiais; a disponibilidade de recursos financeiros; a disponibilidade de matéria-prima, mercadorias, embalagens e outros materiais necessários.
  9. Não dar atenção à necessidade de pessoal – Identifique o número necessário de colaboradores para o trabalho e que qualificação devem possui.
  10. Não fazer a análise de viabilidade da empresa – É necessário fazer uma estimativa do resultado esperado e do capital necessário para começar o negócio, pois terá que fazer um investimento em local, equipamentos, materiais e despesas diversas para instalação e funcionamento inicial do negócio.

Você se enxergou em algum deles? Conte pra gente como foi a etapa de planejamento da sua empresa. 

Lembre-se que empreender é um risco, mas empreender sem planejamento é um risco que pode ser evitado. A simples consideração destas dicas possibilita tomar decisões mais acertadas e evita o desvio dos objetivo.

Se quiser saber mais sobre a elaboração de planos de negócio, Sebrae Nacional disponibiliza gratuitamente uma cartilha para auxiliar na elaboração do seu. Link para download: http://goo.gl/StUzGK

24 mai 2013

PLANO DE NEGÓCIOS OU “BUSINESS PLAN”

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Como um dos maiores aliados do empreendedor na hora de realizar a avaliação da empresa, o Plano de Negócios deve ter uma estrutura sólida, mas não existe conteúdo padrão.

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O Plano de Negócios é uma poderosa ferramenta gerencial para as empresas desde seu nascimento (start-up) até sua maturidade. Ele tem como objetivo auxiliar o empreendedor a “olhar para frente”, alocando recursos humanos, tecnológicos e financeiros, observando os pontos chaves, identificando as oportunidades e antecipando possíveis dificuldades relativas ao negócio. Mesmo com toda a polêmica recente relacionada a sua necessidade ou não (muitos teóricos defendem veementemente o seu fim frente a dinâmica do mercado atual), essa ferramenta é vital para a continuidade da empresa, mesmo para aquelas que não buscam qualquer tipo de recurso financeiro, capitalização ou posicionamento de mercado. Independente do tamanho de sua empresa ou projeto é fundamental elaborar um Plano de Negócios.

Um Plano de Negócios bem estruturado pode ajudar o empreendedor/ executivo a planejar e focar suas idéias, tomando as ações pensadas para sua empresa, ao mesmo tempo em que é uma ferramenta de acompanhamento e definição de metas e gerenciamento de riscos.

Existem diversas formas de elaborar o plano de negócios, mas não existe uma formatação única ou um padrão. A seguir, um sumário dos itens que acredito podem ser utilizados como um guia simplificado e eficaz.

  1. Sumário executivo
  2. História da empresa/ ou do projeto
  3. O produto/serviço
  4. O mercado
  5. A concorrência
  6. Marketing
  7. Manufatura e operações
  8. Equipe de gestão
  9. Resultados históricos (quando disponíveis) e projeções financeiras

O empreendedor e sua equipe devem assumir a preparação do plano de negócios, estabelecendo a visão geral do plano, sua aplicação, seus prazos e objetivos. Esse exercício é parte importante do planejamento estratégico das organizações que se encontram melhor estruturadas.

Ao mesmo tempo em que todo o material é importante, faço alguns comentários específicos sobre a seção de resultados históricos e projeções financeiras. Nesta seção, todos os pressupostos e os dados quantitativos apresentados em outras partes são submetidos a um teste numérico. Em outras palavras, as projeções financeiras são elaboradas com todas as estimativas de vendas da empresa, todos os custos de produção, distribuição, logística e despesas comerciais e administrativas em um resumo de tipo financeiro.

Devemos elaborar as projeções financeiras para um período de três a cinco anos para que estas sirvam como orientação para a equipe de gestão sobre os objetivos da organização nesse período e também para comunicá-las à instituições financeiras ou possíveis investidores. O plano financeiro deve ser elaborado em padrões mínimos conhecidos, podendo ser mais simplificado ou detalhado de acordo com seu segmento de mercado e a qualidade das informações obtidas em toda sua pesquisa, mas em resumo conter como resultados (“output”):

  • Demonstrações financeiras (balanço patrimonial, demonstrativo de resultados/ lucros e perdas e fluxo de caixa) dos últimos anos (se disponível);
  • Projeções financeiras e fluxo de caixa para o período de três anos;
  • Análises econômicas: ponto de equilíbrio, lucratividade, retorno sobre investimento, etc.

Quando houver a necessidade de recursos financeiros externos por meio de financiamento, é importante incluir em suas projeções um resumo desde a utilização até a liquidação dos recursos. Potenciais investidores e financiadores querem ver quanto recurso financeiro seu negócio irá precisar e a capacidade de pagamento e geração de valor do negócio.

Concordo que tudo parece muito "engessado" quando tentamos entender um mercado em constante mutação, mas fugir da construção de um plano de negócios é fugir também da maturidade de um negócio bem estruturado. Talvez o que possamos "negociar" no cenário atuar é que antes da construção de um documento tão detalhado, você tenha a chance de testar e conhecer o modelo do seu negócio (veja a figura abaixo).

lounge-empreendedor-plano-de-negociosNão tenha medo de começar a empreender porque o business plan não está completo. Teste sua ideia. Converse com seus potenciais clientes. Conheça o mercado. Faça suas projeções. Isso tudo lhe dará insumos para um plano de negócios condizente com a realidade do seu negócios e não apenas para mais um documento formal para encher sua gaveta. 

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* Em Julho de 2010, a PwC elaborou o documento “Como Criar um Plano de Negócios” que foi utilizado como base para esta coluna. Acesse o material completo.

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