29 abr 2014

PRODUTIVIDADE E PRECONCEITO | CARREIRAS & NEGÓCIOS

No Comments Administração e Gestão, Ambiente de Trabalho, Carreira, Coaching, Comportamento, Empreendedorismo, Mercado, Mercado de Trabalho

A administração profissional passa por diversos paradigmas e nem todos têm respostas nos livros. Que tal discutí-los num bate-papo ao vivo? 

 

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Quem acompanha o Lounge Empreendedor, já sabe que a nossa conversa por aqui ganhou voz em todas as manhãs de terça-feira no programa Carreiras & Negócios da da Radio Metropolitana AM 1070

Hoje anteciparemos as comemorações do Dia do Trabalho e vamos conversar sobre as questões da produtividade e, é claro, que não poderíamos deixar de falar sobre preconceito. Mais importante do que Daniel Alves, comer a banana que um torcedor jogou no campo na vitória do Barcelona sobre o Villarreal, numa suposta atitude racista no último final de semana é discutirmos o que está escondido nas práticas de gestão das empresas. Afinal, não basta nos "entupirmos" de livros de auto ajuda se cada um de nós não fizer a sua parte para um ambiente melhor no trabalho, correto? 

Sobre o Dia do Trabalho

Comemorado no dia 1º de maio, o Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador é uma data comemorativa usada para celebrar as conquistas dos trabalhadores ao longo da história. Nessa mesma data, em 1886, ocorreu uma grande manifestação de trabalhadores na cidade americana de Chicago.

Milhares de trabalhadores protestavam contra as condições desumanas de trabalho e a enorme carga horária pela qual eram submetidos (13 horas diárias). A greve paralisou os Estados Unidos. No dia 3 de maio, houve vários confrontos dos manifestantes com a polícia. No dia seguinte, esses confrontos se intensificaram, resultando na morte de diversos manifestantes. As manifestações e os protestos realizados pelos trabalhadores ficaram conhecidos como a Revolta de Haymarket.

Em 20 de junho de 1889, em Paris, a central sindical chamada Segunda Internacional instituiu o mesmo dia das manifestações como data máxima dos trabalhadores organizados, para, assim, lutar pelas 8 horas de trabalho diário. Em 23 de abril de 1919, o senado francês ratificou a jornada de trabalho de 8 horas e proclamou o dia 1° de maio como feriado nacional.

Após a França estabelecer o Dia do Trabalho, a Rússia foi o primeiro país a adotar a data comemorativa, em 1920. No Brasil, a data foi consolidada em 1924 no governo de Artur Bernardes. Além disso, a partir do governo de Getúlio Vargas, as principais medidas de benefício ao trabalhador passaram a ser anunciadas nessa data. Não por acaso, a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) no Brasil foi anunciada no dia 1º de maio de 1943. Por muito tempo, o reajuste anual do salário mínimo também acontecia no Dia do Trabalho. Todos os anos, nesse dia, são organizadas diversas manifestações e eventos culturais em todo o país. 

Fuja da auto-ajuda e encontre o equilibrio

E como nosso papo ainda irá falar em produtividade é preciso fugir da crença de que essa "tal produtividade" só se atinge através de uma dedicação total ao trabalho. Isso é algo que só enquadra nas filosofias de 1.800 quando "o trabalhador para ser produtivo deveria ser 100% dedicado à empresa", mas que ainda subsiste na maioria das empresas, sobretudo naquelas em que as lideranças ainda enxergam o ambiente de trabalho como uma extensão da visão centralizadora e unidimensional das suas vidas pessoais.

Porém, a transformação do Departamento Pessoal em Gestão de Pessoas é algo que, aos poucos, tem mostrado como essa relação entre Produtividade e Sacrifício é, na verdade, inversamente proporcional – ou seja, mais sacrifício, menos produtividade.

Qualquer organização de sucesso entende, nos dias de hoje, que o seu maior capital são as pessoas. O advento de novas tecnologias e a rapidez com que a informação trafega só acentuou aquilo que, já diziam os nossos avós: não existem duas pessoas iguais, cada um tem o seu valor e o seu próprio talento. E nunca se pagou tanto pelo talento individual como hoje.

Por isso, novas práticas, ferramentas e soluções gerenciais para minimizar esse “sacrifício” vão ganhando espaço, tornando-se parte fundamental da estratégia de crescimento de empresas e seus profissionais. Exemplos disso são os Programas de Qualidade de Vida, os Pacotes de Benefícios, as Técnicas de Ócio Criativo e as Modalidades de Trabalho Flexível – tudo com o objetivo de promover um clima de integração e fidelização entre os colaboradores da organização.

E quando o preconceito faz parte do clima desse jogo?

Pode parecer absurdo, mas ainda existem inúmeros casos de discriminação no mundo corporativo. Algumas pessoas têm aversão a outras por conta da cor da pele, da religião, da cultura, do gênero, da orientação sexual e até mesmo da região de origem. Xeofobia, machismo, racismo… Tudo isso está em campo quando o jogo é o mercado de trabalho.

  • Machismo: Talvez o mais comum dos comportamentos preconceituosos seja o machismo. Desdenhar de mulheres no ambiente de trabalho ou justificar erros com a clássica frase “tinha que ser mulher” é um comportamento absolutamente preconceituoso, e, pior, encarado como brincadeira por muitos. Segundo o IBGE, a proporção de mulheres no mercado de trabalho ainda é menor, bem como a remuneração, em média 28% inferior (IBGE) à dos homens, mesmo as mulheres sendo maioria nas universidades e tendo, na média, mais tempo de estudo que eles. Das 250 maiores empresas do Brasil, apenas três são presididas por mulheres. Isso é ou não é um contraste? De qualquer maneira, a mudança começa a ser ensaiada por algumas empresas, e já podemos ver ótimos exemplos em solo brasileiro em empresas como: TAM, GM, Dudalina, Magazine Luiza, Blue Tree Hotels, GM, Lupo, Pepsico entre outras.
  • Racismo: Uma infeliz herança dos tempos de escravidão, que durou quase 350 anos. Há pessoas que acreditam no absurdo da supremacia de uma cor sobre outra, que afirmam que a cor da pele de uma pessoa define capacidades e incapacidades. Em cargos altos ainda é difícil ver a participação massiva de negros, mesmo o Brasil sendo um país com um grande número de pardos (43,1%) e negros (7,6%), segundo o Censo de 2010.
  • Preconceito contra estrangeiros: Muitos países importam mão-de-obra barata de nações menos desenvolvidas, o que contribui para a construção de uma imagem deturpada dos estrangeiros. Muitos imigrantes acabam também sem empregos e vivendo à margem da sociedade, o que faz com que a população local acabe por associá-los a desocupados ou mesmo criminosos. No Brasil, isso tem sido visto atualmente com a chegada dos haitianos e também de estrangeiros vindos de outros países da América Latina, como os bolivianos, que infelizmente já foram flagrados trabalhando em regime próximo à escravidão em nosso território. O destrato, entretanto, não é restrito aos estrangeiros. Já cansamos de ver péssimos exemplos de discriminação decorrente do estado ou região de origem dentro de nosso próprio território. E vale lembrar: mais que cidadãos brasileiros, somos uma nação – e riquíssima, diga-se de passagem.
  • Preconceito religioso: Por mais que seja prevista em nossa constituição a liberdade religiosa, é muito comum ver manifestações de preconceito no cotidiano, e não é diferente no mercado de trabalho, embora geralmente mais veladas. Mesmo com inúmeros exemplos de intolerância religiosa ao longo da História, o homem parece não aprender que perseguições dessa natureza não se justificam e não têm fundamento. Atualmente, creio que as religiões de descendência africana são as principais afetadas, associadas com frequência e leviandade a “forças do mal” ou magia negra. Muitas pessoas perdem oportunidades profissionais por conta dessa ignorância e preconceito.

Como evitar o preconceito na minha empresa?

É necessário que faça parte da política da empresa o respeito entre os colaboradores, e que fatores como gênero, religião, raça ou lugar de origem não sejam vistos como qualidades ou defeitos, nem mesmo sejam motivo de tratamento diferente. É preciso enfatizar a reprovação destes comportamentos nos momentos de integração.

Uma boa dica é, também, evitar que estes assuntos venham à tona no ambiente corporativo. Muitas dessas razões são polêmicas por si só, e evitar conversas acaloradas é importante para não fomentar sentimentos negativos no grupo – principalmente se houver alguém com predisposição a não conseguir ignorar comentários negativos ou que aja de maneira impetuosa.

Lmbre-se que a lei protege as vítimas de racismo e xenofobia, mesmo que estes comportamentos ocorram no ambiente profissional. Caso você esteja passando por discriminação de gênero, raça, religião, opção sexual ou qualquer outro motivo, é possível processar o agressor ou a empresa por assédio moral. Não deixe que este tipo de comportamento inadequado seja encarado como normalidade ou brincadeira, e defenda-se..  

lounge-empreendedor-carreiras-e-negociosSe você quer saber mais sobre o assunto basta sintonizar na Metropolitana AM 1070 às 8h30 quando o programa Carreiras & Negócios estará no ar. Você também pode acompanhá-lo pela internet pelo endereço
redemetropolitana.com.br/radio.php 
ou mandar por aqui suas dúvidas e sugestões.

É sempre uma delícia falar com você!

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