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06 abr 2013

O LUXO DO LIXO

No Comments Ações Sociais, Desenvolvimento Sustentável, Gestão, Gestão Ambiental, Meio Ambiente, Mudança, Proposta de Valor, Protagonismo, Qualidade de Vida, Sustentabilidade, Viva Positivamente

Está mais do que na hora de enxergarmos uma nova realidade com relação ao lixo. Comecemos por encará-lo como resíduo sólido que em sua grande maioria pode ser reaproveitado.

 

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Atualmente cerca de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro vai para o lixo, ou seja, US$ 480 bilhões vão para o lixo considerando as perdas tangíveis, mas este valor pode chegar a um terço do PIB se considerarmos as perdas intangíveis. Mesmo assim, todo mundo se mostra consciente quando o assunto é reciclagem. Entretanto, pouca gente é praticante.
A composição média do lixo do brasileiro é riquíssima em restos de alimentos orgânicos que correspondem a quase 65%, papel, papelão e derivados somam 25%, ficando o restante com plásticos, vidro e metal 10%. Grande parte desse material poderia ser reaproveitado, mas o preconceito e a nossa (pouca) educação não permitem olharmos para o lixo e enxergarmos o luxo que ele contém.
A prática da compostagem, por exemplo, vem ganhando maior velocidade na agricultura, pois além de ser um método mais barato como fertilizante de solo pode trazer ganhos de até 80% na produção. O agricultor diminui a compra e aplicação de produtos químicos, enriquece a microbiologia do solo e ainda oferece ao consumidor final um produto com menores índices de toxicidade.
E essa é apenas uma idéia: países ricos já entenderam que reciclar é uma excelente saída para a geração de renda e para a redução dos impactos ambientais. Cada tonelada de papel reciclado evita a perda de novas 15 a 20 árvores adultas, e o mesmo acontece para o vidro e metal que eqüivalem a 850 quilos a 750 quilos respectivamente em produção de energia.
Enquanto as cidades do Alto Tietê discutem propostas para fugir de um novo “lixão”, precisamos incutir uma nova mentalidade em toda a sociedade. O lixo que produzimos não é tão medonho assim. Você pode não saber, mas pode estar jogando no lixo 10% de sua renda.
Temos uma triste equação a resolver: nos países em desenvolvimento – como é o caso do Brasil – o desperdício com alimentos é maior que nos países de “primeiro mundo” e os percentuais de produtos e embalagens recicladas é menor. O resultado é, portanto, muito complicado.
Agricultores, produtores e indústrias de manufatura precisam perceber que a competitividade vai além da necessidade de promover seus produtos e serviços com menor custo e maior qualidade. A consciência coletiva sobre o impacto causado ao meio ambiente levará empresas a implantar sistemas de gestão ambiental e o consumidor ficará mais seletivo.
Com isso, todos ganham: ao reduzir o uso de recursos naturais nos processos produtivos, as empresas economizam custos com energia elétrica, água, transporte e embalagens; e o cliente também percebe uma mudança em seus próprios padrões de consumo. Quanto antes percebermos que a qualidade do meio ambiente depende de cada um de nós, mais rápido chegaremos às soluções para, por exemplo, a destinação dos resíduos sólidos. O problema também é nosso!

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